Era uma vez um maninho maluco que queria se casar com uma maluca. Mas não podia ser uma maluca qualquer. Ele queria uma maluca bem maluca e que gostasse de sopa de ervilhas, nada parecido com a dos contos de fadas. Ele viajou o nordeste todo procurando uma maluca do jeito que sonhava, mas sempre via algum defeito nas moças que encontrava. Sua mãe, uma alma velha do além , vivia dando palpites na vida dele:- Não se fazem mais malucas como antigamente... O maninho maluco chegou a fazer uma listinha com os nomes daquelas que achava “perfeita”: aquelas que usavam uma quantidade absurda de maquiagem no rosto, outras que falavam do tempo que demorou em terminar o cabelo, e outras que diziam como foi difícil entrar naquela calça minúscula. Mas, para sua grande alegria, descobriu que todas já tinham um namorado de plástico. Ele já estava desistindo, quando aconteceu uma coisa incrível. Numa noite de tempestade, bateram na porta do ‘palácio’. "Quem será à uma hora dessas?", pensou a mãe alma do alem e mandou um sapo criado abrir a porta. Era uma estranha garota, molhada da cabeça aos pés. Ela jurava ser uma maluca que tinha se perdido na floresta por causa do temporal.Na correria, tinha perdido também a ervilha.
O maninho maluco achou aquela maluca a mais maluca de todas, mas a mãe alma do além que era muito esperta e desconfiada, bolou um jeito de descobrir se a tal moça era mesmo uma maluca.Ela pegou uma ervilha e colocou no estrado da cama do quarto de hóspedes. Depois, empilhou um monte de colchões sobre a ervilha e ainda encheu a cama de cobertores e travesseiros.Quando a maluca foi dormir e viu aquela montanha de colchões, achou que a mãe alma do alem devia ser rainha. Mas estava tão cansada que nem quis discutir o assunto.No café da manhã, a mãe alma perguntou:- Dormiu bem, querida?- Que nada! - respondeu a maluca - Não consegui pregar os olhos. Aquela ervilha que comi me deu indigestão. Ninguém mais teve dúvidas. Só uma verdadeira maluca poderia ser tão sensível a ponto de comer um grão de ervilha debaixo de uma pilha de colchões. Eles então se casaram e foram morar no reino das fadas, tomar sopa de ervilhas no fim da tarde e ouvir som da viola maluca.
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